terça-feira, 26 de maio de 2015

ENTREVISTA COM O ADEMIR DA GUIA "O DIVINO"

Com 902 jogos e 153 gols com a camisa do Palmeiras, esse é o Ademir da Guia um dos maiores ídolos da história do clube, teve seu início de carreira no Bangu-RJ e chegou no Palmeiras em 1962, permaneceu no clube durante 15 anos e teve como as maiores conquistas 5 Campeonatos Brasileiros, 5 Campeonatos Paulistas e 1 Torneio Rio-São Paulo. Disputou a Copa do Mundo de 1974 quando a seleção brasileira ficou com o 4° colocado.
O lendário Ademir da Guia também conhecido como "O Divino" deu uma entrevista no estádio Allianz Parque e contou um pouco da sua história e conquistas.


Notícias Independente: Como foi o seu início de carreira no Bangu-RJ em 1960?


(FOTO: Gabriela Maruyama)

Ademir da Guia: A família dos da Guia era composta por meu pai e meus três irmãos. Começamos a jogar entre os anos 1915 e 1920 e acredito que o mais velho tenha começado um pouco antes. Ao todo, foram quatro jogadores que iniciaram a carreira no Bangu e depois jogaram no Flamengo, e foi muito complicado para três irmãos jogarem em um time como o Flamengo. Todo início de carreira é difícil, mas no meu caso foi mais fácil, porque quando eu cheguei no Bangu, o técnico tinha jogado como meu pai no mesmo time e isso me ajudou a ficar no clube. Joguei durante dois anos no infantil, um ano de juvenil e em 1959 fui campeão juvenil no Bangu. Esse campeonato deu a chance do Bangu fazer o primeiro torneio internacional de Nova York, no qual ganhei o prêmio.

NI: Depois veio o time chamado de academia que era o único que fazia frente ao Santos de Pelé. Como era enfrentar o Santos naquela época e qual era a motivação para poder ganhar deles? 


Ademir: Enfrentar o Santos era sempre difícil, porque contava com um elenco cheio de craques como Pelé, Coutinho, Pepe, entre outros. O nosso time era inferior, mas tínhamos também outros excelentes jogadores, naquela época tinha três times fortes no Brasil. O Botafogo de Garrincha que era a base da seleção brasileira, o Santos de Pelé e o Palmeiras que contava comigo, César Maluco, Leivinha entre outros.

Hoje o futebol brasileiro está muito equilibrado, podem ver! O Corinthians, Atlético Mineiro, Internacional, São Paulo e Cruzeiro estão sempre brigando pelos títulos. 



NI: Como era a relação entre torcida e time naquela época? Tinha pressão por partes deles ou não? 

Ademir: Naquela época não tinha pressão como existe hoje, até porque o time sempre disputava as competições e ganhava, eu mesmo nunca sofri pressão por parte da torcida. Hoje as coisas mudaram, o time não ganha uma partida e já tem torcida para pressionar.



NI: Em 1974, teve a final do paulistão contra o Corinthians, o arquirrival não conquistava um título há 20 anos. O Morumbi com 90% da torcida rival. Como foi a conversa no vestiário para poder vencer aquela partida tão importante para o Palmeiras contra o Corinthians?   

Ademir: Aquela final foi muito especial, o Morumbi só tinha corintianos e haviam boatos na época que entre os jogadores do Corinthians eles haviam falado em ganhar da gente, mas o Palmeiras estava muito concentrado para aquela partida e não sentimos a pressão da torcida, quando o Ronaldo abriu o placar que seria o resultado final, tudo ficou ainda mais fácil para encaminhar o título do paulistão daquele ano.


NI: No mesmo ano teve a primeira participação na Copa do Mundo atuando pela seleção brasileira, onde a seleção terminou na quarta colocação. Mas, muitos ex-jogadores, torcedores e jornalistas afirmam que você foi um dos mais injustiçados por não ter jogado mais Copas do Mundo. Você se considera um injustiçado? 

Ademir: Não me sinto um injustiçado, pois a seleção teve sempre grandes jogadores, naquela época tinha o Rivellino que atuava na mesma função que a minha. Eu tive uma oportunidade de disputar uma copa do mundo, não foi como imaginei, atuei só no último jogo que disputava o terceiro lugar, mas não me considero como injustiçado.


NI: Qual a sua relação com a torcida do Palmeiras? 

(FOTO: Gabriela Maruyama)
Ademir: Sempre foi ótima, na época que jogava eles (torcedores) me idolatrava e sempre me respeitou, já se passaram 18 anos desde que parei e ainda recebo muitos carinhos da torcida. Hoje mesmo aqui no estádio, a torcida me vê e já quer tirar foto, conversar e cumprimentar, acho que isso é muito importante para mim, eu sinto que fiz minha parte como atleta e ajudando o Palmeiras.




NI: Foi o que mais atuou com a camisa do Palmeiras com 902 jogos. O terceiro maior artilheiro com 153 gols, com 17 títulos entre os principais – 5 campeonatos brasileiros e 5 campeonatos paulistas. Você se considera o maior ídolo do Palmeiras?                   

Ademir: Quando eu cheguei ao Palmeiras, havia grandes jogadores. O que posso dizer é que fui eu quem mais jogou partidas neste século, então isso já me deixa muito orgulhoso. Eu joguei 902 jogos, mas não me considero melhor ou maior, cada um ganha de uma maneira. Alguns acham o Edmundo o melhor, outros preferem o Marcos, mas o que eu posso afirmar é que 902 partidas só eu joguei. Hoje todo brasileiro entende de futebol, então cada um tem o seu ídolo. Eu posso me considerar o “número 1” pela quantidade de jogos, só espero que ninguém alcance ! (risos)

(FOTO: Jessica Veronica)