segunda-feira, 18 de abril de 2016

DE ELITE PARA O PÚBLICO EM GERAL FAZ O THEATRO MUNICIPAL SE REINVENTAR

Inaugurado no dia 12 de setembro de 1911, o Theatro Municipal de São Paulo, localizado no centro antigo da capital, revolucionou em vários aspectos, principalmente na arquitetura que espelhou a Ópera Nacional de Paris.

O teatro foi construído para atender o desejo da elite paulista da época, que queria que a cidade estivesse à altura dos grandes centros culturais, além de ter acesso a concertos e óperas. No período, a diferença de classes era bastante evidente, os barões do café e os políticos eram os mais respeitados e os que tinham mais poderes na cidade, seguidos por profissionais liberais (médicos, advogados, engenheiros, arquitetos e jornalistas) e, por fim, por professores, estudantes e imigrantes italianos.

Para ter acesso ao Theatro, foram criados três tipos de acesso para esse público.

Ordem 1: (Balcão nobre e camarotes do 2° andar): Políticos e pessoas influentes como os barões do café. Acesso pela escadaria principal.

Ordem 2: (Foyer): Profissionais liberais. Acesso pelas portas laterais.

Ordem 3: (Balcão simples e 4° andar): Estudantes e professores. No 5° andar, os imigrantes italianos tinham acesso por uma escada isolada.


Segundo o guia turístico do Theatro Municipal de São Paulo, Rodrigo Silveira, o público era seleto e havia uma segregação por parte dos organizadores dos eventos. “Quando inaugurado o Theatro Municipal, a cidade de São Paulo estava crescendo muito por causa do café e, com isso, a desigualdade social também crescia. A arquitetura do local visava separar a elite paulistana, que eram barões, políticos e pessoas influentes, daqueles que não se adequavam a esses requisitos. Sendo assim, a entrada principal e a escadaria eram restritas à elite. A entrada de professores e estudantes, pela entrada lateral do lado de fora, representava essa segregação", declara ele.

       Entrada onde entrava a primeira ordem (FOTO: Eduardo Pires)

Com as reformas teatro e o surgimento de outros lugares culturais, como, por exemplo, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), o Theatro começou a perder seu público e aos poucos teve que se reinventar, tanto na parte das programações quanto nos preços dos eventos.

Passados mais de 114 anos depois da sua inauguração, o Theatro Municipal de São Paulo recebe vários tipos de classes sociais, com visitas guiadas gratuitas e preços de concertos que chegam a custar 20 reais. “Antigamente o público gostava de arte e cultura, tinha uma fome para aprender novas tendências, principalmente as da Europa. Hoje o público, principalmente o jovem, não tem nenhum interesse em visitar um teatro ou museu, porque a tecnologia é mais importante que conhecer a arte. O Theatro soube mudar o olhar e o pensamento sobre o público”, revela o visitante Gilson Almeida.

          Vista externa do Theatro Municipal (FOTO: Eduardo Pires)

Atualmente, a entrada e a visita são permitidas para todos os públicos.