sábado, 15 de outubro de 2016

Pátio do Colégio atraí centenas de moradores de rua atrás de comida

Dezenas de carros e vans chegam para alimentar as pessoas que vivem nas ruas. Leites são distribuídos para as famílias com crianças.

Moradores faz fila em frente ao Pátio do Colégio (FOTO: Eduardo Pires)
Os moradores de rua na cidade de São Paulo quase que dobrou nos últimos 17 anos. Em 2000, o número chegava na casa dos 8.700 moradores que viviam nas ruas, na época um número alarmante. Passados quase duas décadas depois, o número cresceu de forma avassaladora.

Segundo um levantamento inédito pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas (Fipe) em 2015, os números de moradores de rua chegaram nos 15.905. Isso porque os migrantes vindos de outros estados, principalmente do Nordeste, e também os imigrantes vindos dos países africanos e do Haiti - este último país foi arrasado por um furacão em 2010 - ajuda na concentração de mais gente nas ruas da cidade paulista.

Esse número só não é maior por causa que não é contabilizada as pessoas que são acolhidas em igrejas, ONGs e as invasões em propriedades privadas abandonadas.

A região da Sé tem o maior número de moradores de rua, segundo o Fipe, são 3.864 pessoas nas regiões da República, Anhangabaú, Glicério, Cracolândia, Luz e na própria Sé.

Para o morador de rua, Hiraldo, 60 anos, a região central virou uma disputa de território para a locação de barracas. “Eu moro aqui na região da Sé há 20 anos, cada dia que passa, a disputa por lugar é muito grande. No Pátio do Colégio mesmo, é um monte de barracas e pessoas”. Contou.

Para a sorte do Hiraldo e dos outros milhares de pessoas que vivem nas ruas da principal cidade do país, é que existem voluntários para oferecer comidas, lanches, leites e carinho.

Todos os dias, o Pátio do Colégio atraí centenas de pessoas atrás de mantimentos para sobreviver. O Núcleo do Voluntariado, da Casa do Cristo Redentor, distribuí toda segunda sexta-feira de cada mês: 1300 lanches, suco, água e chá. O dirigente do projeto chamado Pão e Amor, Rogério Baroni Rombe, diz que é uma satisfação fazer essa boa ação. “A casa faz esse projeto, cerca de 80 voluntários ajuda na distribuição dos lanches. Hoje cerca de 600 pessoas vão ser beneficiadas com os lanches”.

A comunidade evangélica, Vale do Benção, também distribuí todas as sextas-feiras comidas para os moradores, o coordenador do projeto, Júnior Santos, diz que há uma década esse projeto beneficia os moradores de rua na região central. “450 marmitex e 120 litros de suco, são distribuídos para a população de rua. Há dez anos estamos fazendo na região do Pátio do Colégio e também na Glicério toda quarta-feira, onde tem bastante haitianos”.

Dezenas de carros e vans chegam no Pátio do Colégio com os voluntários e bastante comida. Pessoas correndo para formar fila, e outras saindo de suas barracas com um sorriso no rosto prestes a comer o que seria a sua primeira refeição do dia. 

    Um dos voluntários ajudando a distribuir suco (FOTO: Eduardo Pires)
Rua Anchieta serve para a entrega dos marmitex para os moradores (FOTO: Eduardo Pires)
A Kombi da comunidade evangélica, Vale de Benção (FOTO: Eduardo Pires)
Rogério Baroni, diretor do projeto Pão e Amor da Casa do Cristo Redentor (FOTO: Eduardo Pires)