domingo, 8 de janeiro de 2017

Laika: A vítima da ideologia entre o capitalismo e o socialismo.

A cadela se tornou um símbolo de luta pelos direitos dos animais mundo afora.

A cadela Laika é a cachorra mais conhecida no mundo (FOTO: Foto Montagem)

Laika foi uma cadela que andava pelas ruas de Moscou, capital da antiga União Soviética, atual Rússia. Sempre em busca de comida, carinho, atenção e amor do povo soviético, Laika iria se tornar um símbolo pelo mundo.

Com três anos de idade, a cachorra vivia o auge da Guerra Fria. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a União Soviética queriam monopolizar o mundo com nova filosofia, ideologia e pensamento pelo mundo. O capitalismo era tratado pelos americanos como o futuro do mundo. O socialismo era o que os soviéticos acreditavam de um mundo menos desigual para todos.

Antes do Notícias Independentes contar a história da Laika, vamos relembrar o que foi a Guerra Fria.

URSS apoiava o socialismo, os EUA apoiavam o capitalismo na Guerra Fria (FOTO: História do Mundo)

De 1945 a 1991, a Guerra Fria foi um conflito indireto que movimentaram os EUA e a URSS com a corrida armamentista, espacial e uma filosofia de pensar, os dois países também tiveram conflitos diretos de forma obscura.

O primeiro caso foi: A Alemanha foi dividida em duas, em ocidental e oriental. Sendo que a ocidental tinham lojas de grifes francesas, inglesas e americanas, restaurantes com comidas requintadas e carros luxuosos, as pessoas viviam a liberdade de viver. Do lado ocidental, notava-se a falta de infraestrutura das casas, comércios e apartamentos. Pessoas andavam no “básico” e não havia luxo. Carros, roupas e objetos eram fabricados pelas fábricas soviéticas.

A Guerra Fria não houve um confronto direto entre as duas superpotências (Estados Unidos e União Soviética), se houvesse, o mundo talvez não existisse hoje. Mas algumas guerras fizeram os dois países se mexerem. A Guerra da Coreia e a Guerra do Vietnã são exemplos disso. A primeira (1950 – 1953) fez os norte-americanos, junto com a ONU e Reino Unido, defender a Coreia do Sul. Já os soviéticos e chineses defenderam a Coreia do Norte. O resultado foi milhões de mortos e feridos.

A Guerra do Vietnã é considerado até hoje como a maior vergonha da história dos EUA. O país asiático estava em disputa territorial, de mercado, de armas e hegemonia. O Vietnã do Sul apoiada pelos EUA, Coreia do Sul e Austrália entrou em conflito com o Vietnã do Norte, apoiada pela China, União Soviética, Cuba e Coreia do Norte. O único país a mandar soldados, foi o Estados Unidos em apoio ao Vietnã do Sul. Já os soviéticos ajudaram em armas, munição e alimentos os Vietcongs, os guerrilheiros do lado norte. O final da guerra foi uma perda de soldados, dinheiro e prestígio por parte dos EUA. Os Vietcongs venceram a guerra com ajuda da URSS porque sabiam o território como ninguém.

Uma das fotos mais emblemáticas da Guerra do Vietnã, crianças correndo peladas após o bombardeio feitos pelos EUA (FOTO: Arquivo Google).

A disputa não acabou por aí, ainda tinha a disputa espacial. É nesta parte que entra a história da cadelinha Laika. Largada à mercê nas ruas de Moscou, ela foi capturada pelo programa espacial soviético. Até aí tudo bem, ela teve treinamentos junto com outros cães. Tomava banho, tinha alimentação, era tratada como uma cosmonauta – astronauta em russo.

Dos 38 cães de porte pequeno, apenas três foram escolhidos para participar do programa. Laika, Albina e Mushka, passaram no teste que avaliavam o comportamento dos cães. Elas fizeram treinamentos intensos e estressantes, vibrações (simulador de voos), acelerações, cargas G em máquinas centrífugas, altos ruídos e barulhos. Fora todos esses transtornos, elas tiveram que permanecer em compartimentos apertados e quentes pelo período de 15 a 20 dias, tempo que levava a missão com os cães na órbita.

A escolha por uma fêmea é que elas não precisavam se levantar, abrir as pernas para urinar, diferente do macho, o que impossibilitaria a missão com eles. Laika foi escolhida pelo seu temperamento calmo, obediência e por sua inteligência durante o treinamento.


Pronto! Laika estava pronta para ser o primeiro ser vivo a sair do planeta, o mundo estava perplexo para essa novidade. O foguete soviético Sputnik 2, foi lançado no dia 3 de novembro de 1957, em Bainoku, atualmente Cazaquistão. Na cápsula, tinha comida gelatinosa, ventilador e um recipiente para os excrementos de Laika. Moscou alertou, a cachorra iria voltar em alguns dias para a Terra, por meio de um paraquedas. As pessoas acreditavam que Laika iria voltar são e salva dessa missão, mas quem estava por trás, sabia que era uma viagem só de ida.

Laika dentro da cabine de uma cápsula para o treinamento da missão Sputnik 2 (FOTO: Arquivo Google)

Laika morreu entre cinco e sete horas depois do lançamento do Sputnik 2, devido ao superaquecimento da cabine, alto estresse e pânico que o cão sofreu. A frequência cardíaca de Laika passou de 103 para 240 batimentos por minuto, quando a cápsula estava na órbita.

O Sputnik 2 deu 2.570 voltas ao redor da terra com os restos mortais de laika, até explodir no dia 14 de abril de 1958.

Ela foi uma das vítimas da ideologia que persiste até hoje em nossa cultura mundial. A corrida espacial ganhou novos rumos, como a ida do homem à lua, o descobrimento de novos planetas, descobrimento de seres vivos em outras galáxias e quem sabe um dia, nós seres humanos habitar Marte.

Laika recebeu várias homenagens pelo mundo. Em 1997 na Cidade das Estrelas, foi inaugurada uma placa onde mostra os cosmonautas mortos, a cadela está lá. Em 2005, um pedaço de Marte foi colocado com o nome de Laika. Várias obras literárias, musicais e de ficção são inspiradas na história da Laika. 

Laika recebeu em sua homenagem uma estátua perto do Instituto de Medicina Militar, em Moscou (FOTO: Arquivo Google)

Nessa foto podemos ver os três capturados pelo programa: Mushka (esquerda), Laika (centro) e Albina (direita) (FOTO: Arquivo Google)